Especialistas angolanos divergem sobre o potencial da IA em relação aos humanos.

Os participantes do painel sobre “Inteligência Artificial e o Futuro dos Negócios”, um dos temas de cartaz da primeira edição do TechInsight by ADF, analisaram as tendências da inteligência artificial (IA) e o futuro dos negócios nesta terça-feira (12), em Luanda, com todos concordando que a IA actual continua a ser fraca, mas divergindo quanto ao potencial dessa tecnologia no futuro.

“Na minha opinião, ainda temos alguns passos a dar para chegarmos à inteligência artificial forte. Há uma frase de um cientista de IA que diz: sintáctica não é semântica. Ou seja, saber que amor é uma palavra não significa que você entende o que é o amor. Então, a IA é muito boa para entender sintáctica, mas ainda há um longo caminho para perceber semântica,” comentou o director geral da Tis Tech, Willian Oliveira.

O CEO da ETIC, Felipe Retke, também acredita que ainda não vivemos a era da IA forte, que é caracterizada por ferramentas com grande autonomia para executar acções. Segundo o executivo, o que os modelos de inteligência artificial fazem actualmente é apenas usar os dados disponíveis, com base no algoritmo em que foram criados, e gerar respostas baseadas nestas informações. Felipe Retke defende que, independentemente da sua evolução, a IA sempre será inferior aos humanos em termos de capacidade de criação.

“Eu sou apologista de que a inteligência artificial não é e nunca será capaz de criar como o ser humano, mesmo com a computação quântica. Porque os humanos, independentemente da crença, podem ser influenciados por algo além deles, mas a IA não pode. A IA só pode ser influenciada por algoritmos e dados. Por isso, na minha opinião, nós continuamos meramente num modelo de perguntas e respostas,” afirmou.

Já a presidente do Conselho de Gerência da INTELLECTUS – Formação e Gestão, Neusa Semedo Colsoul, acredita que a inteligência artificial poderá, sim, a dada altura, superar os humanos, tão logo atinja a capacidade de pensar por si mesma.

“Eu concordo que estamos muito no início, as máquinas estão a dar-nos o resultado daquilo que a gente lá coloca, mas se repararmos já não é um resultado tão puro como, por exemplo, eu coloco A e sai A. Já há uma mistura de informações e eu acredito que daqui a pouco tempo ela vai ser capaz de pensar por si,” disse.

A PCG da INTELLECTUS disse que a sua percepção da evolução da IA não é apocalíptica, não acredita que os humanos serão substituídos por robôs no futuro, mas disse acreditar que se não se trabalhar na questão da ética e da moral associada a estas ferramentas, a humanidade poderá enfrentar vários problemas com a evolução desta tecnologia.

Fonte: Portal de T.I